Auxílio Emergencial Reduzido Deixará 19,3 Milhões De Brasileiros Na Extrema Pobreza

O que foi exemplo de programa social em 2020, este ano se tornou uma catástrofe. O Auxílio Emergencial insiste em falhas graves e prejudica a população.

Devido a redução drástica do valor do Auxílio Emergencial este ano, 61,1 milhões de brasileiros deverão viver na pobreza e 19,3 milhões na extrema pobreza, indica estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP).

De acordo com o Banco Mundial, pessoas consideradas pobres são aquelas que vivem com uma renda inferior a R$ 469 por mês (por pessoa). Já os extremamente pobres são aqueles que vivem com menos de R$ 162 mensais per capita.

Em 2019, 51,9 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza. Com a pandemia, a expectativa é que 2021 termine com 9,1 milhões de pobres a mais.

Da mesma forma, se tínhamos 13,9 milhões de pessoas extremamente pobres em 2019, este ano deverá encerrar com 5,4 milhões a mais na carência extrema.

De acordo com Luiza Nassif-Pires, Luísa Cardoso e Ana Luíza Matos de Oliveira, autoras do estudo, informaram ao G1 que o valor médio do novo auxílio (R$ 250) não atende à perda de renda da população mais pobre em meio à pior fase da crise de saúde pública provocada pela covid-19.

“Já havia um crescimento da pobreza antes da pandemia, isso só não se agravou no ano passado devido ao auxílio emergencial de R$ 600 a R$ 1.200”, observa Oliveira.

 

“O novo modelo do auxílio, que sofreu um corte significativo, está deixando grande parte da população desamparada”, disse a economista.

Bolsa Família, salário mínimo e maior acesso à educação levaram à redução da pobreza no Brasil até 2014
Bolsa Família, salário mínimo e maior acesso à educação levaram à redução da pobreza no Brasil até 2014. — Foto: Getty Images

Pobreza Cresce Desde 2015

Com a implementação do Bolsa Família, os ganhos reais do salário mínimo e a ampliação do acesso à educação, a pobreza no Brasil apresentou uma leve redução até 2014.

 

Porém, em 2015 o houve uma inversão do quadro e, com o aumento da crise econômica, a miséria voltou a crescer ano após ano.

A curva da pobreza diminuiu em 2020 com a chegada do Auxílio Emergencial, que pagou cinco parcelas de R$ 600 para milhões de brasileiros, sendo que podia chegar a R$ 1.200 para mães solteiras.

Com base em dados do IBGE, no auge do benefício a extrema pobreza do país foi reduzida em 2,4% e a de pobreza em 20,3%.

Esses foram os patamares mais baixos já atingidos em 40 anos, de acordo com o Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

População de baixa renda ficou sem auxílio nenhum de janeiro a março de 2021
População de baixa renda ficou sem auxílio nenhum de janeiro a março de 2021. — Foto: Getty Images

As Falhas Do Auxílio Emergencial 2021

Se em 2020 o Auxílio Emergencial foi um alívio para a população, em 2021 a página virou para um episódio de decepção e exemplo de má gestão.

Os brasileiros de baixa renda ficaram sem o benefício de janeiro a março deste ano, e seu valor caiu bruscamente: são R$ 150 para pessoas que moram sozinhas, R$ 250 para domicílios com mais de uma pessoa e R$ 375 para mães solteiras.

O número de beneficiários foi reduzido de 68,2 milhões de pessoas em 2020, para 45,6 milhões de famílias em 2021.

Agora, o saque só pode ser realizado por uma pessoa por família, e só podem receber quem aderiu ao benefício em 2020. Ou seja, quem perdeu sua renda após o período de inscrição do auxílio (que foi até julho de 2020) não receberá a ajuda.

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